Cinema. Simples assim

Babel: Fui, assisti e venci

Publicado por: kravitzjunior em: Março 7, 2007

Um filme menos denso do que “Crash”, mas que consegue criar certa conexão em relação à história.

Atuações não muito fora do normal, destaque para a japonesa Rinko Kikuchi que interpreta uma surda muda e realmente convence.

A história do filme é abordada de maneira a não cair nas armadilhas e clichês que vivem por aí, no entanto o enlace de cada parte da trama (uma parte no Marrocos, outra no México/EUA e outra no Japão) é um pouco frágil e isso faz do filme algo não denso, no sentido sentimental e dos relacionamentos entre os personagens que estão distantes, mas deveriam ter algum envolvimento para deixar o mais ainda mais reflexivo.

 Um dos detalhes importantes é que as histórias são contadas de maneira não cronológica o que vai aguçando a percepção do espectador a medida em que o filme vai passando.

Um grande mérito do diretor é saber explorar o silêncio dando a esse fator uma importância impar nas cenas.

Digo isso não só quando ele mostra a realidade da menina com deficiência auditiva, mas no momento dos diálogos que na maior parte do filme são realizados em silêncio absoluto, deixando a sala de exibição (a qual quando fui não tinha mais que 10 pessoas) em um vazio impenetrável, e mesmo assim atraente já que o clima do filme se torna mais próximo de quem assiste.

 Mas, nem só do breu auditivo vive um filme que ganhou seu único Oscar na categoria melhor trilha sonora.

Esse fator, a trilha, é muito bem pontuada e entra nos momentos exatos, substituindo muitas vezes as palavras e dando assim ainda mais realidade as ações dos personagens. Sem contar que é extremamente simples o que dá ainda mais “sabor” a audição.

 Recomendadíssima essa trilha sonora instrumental.

Acredito que um fator que pode ter contado para o fraco desempenho no Oscar deve ser realmente a fragilidade das conexões entre as histórias e ainda algumas soluções e atitudes para os personagens que parecem muito comuns/fáceis/esteriotipadas.

 Mas mesmo assim vale a pena assisti-lo, não chega a ser, como disse anteriormente, um “Crash” com uma dose dramática e interpretativa que nos leva aos prantos, mas aborda as relações sociais de uma maneira interessante e como de repente pessoas que não estão em um mesmo lugar podem se interligar por um detalhe e causar uma mudança em escala na história de cada um desses. Destaque: As diferenças assustam muito mais quem as têm do que quem as repara, mas isso mostra quão tênue é a percepção dos seres humanos em a relação a suas adversidades. Digo isso pela história da menininha surda que convive com esse problema e acredita que todos os seus problemas, ou quase todos, são originários disso. Percebam como, mais uma vez, os americanos são a pedra no sapato do mundo, e com razão.No entanto agora essa história é retratada sob o olhar de um mexicano o que deixa tudo mais interessante.

1 Resposta para "Babel: Fui, assisti e venci"

Um filme realmente muito interessante. Ainda quero escrever sobre ele. Muito boa sua crítica, parabens.

NOTA: A trilha realmente é sensacional

Abraços

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