Publicado por: kravitzjunior em: Maio 17, 2007
Bem vocês podem verificar aqui que estou fazendo um apanhado de notícias a respeito do Festival para então tecer meus sagazes comentários. Até porque eu não posso comentar muito se não estiver em loco, mas daqui uns três, quatro anos no máximo, vou mandar notícias direto do bendito tapete de Cannes.
Essa matéria é muito bem escrita pelo repórter do Estadão, mas tem alguns dados que eu não sei se podem ser considerados 100% procedentes.
Cannes pode ser o maior evento de cinema do mundo, pois coloca em um mesmo páreo cineastas de qualquer lugar e que tenham investido qualquer quantia em seus filmes desde que sejam bons, mas daí para ser maior que a Copa do Mundo de Futebol. Parece um pouco utópica essa informação.
Mas se deleitem com as informações a respeito do Festival e amanhã trago mais coisas a respeito dos novos filmes e essas coisas todas. Abraço.
Festival de Cannes, 60 anos em grande estilo
Luiz Carlos Merten do Estadão
Maior evento de cinema do mundo estende o tapete para uma edição histórica
Em 1939, Louis Lumière – co-inventor, com o irmão Pierre, do cinematógrafo, base de toda a (r)evolução do cinema – ainda estava vivo. Naquele ano, em Monte Carlo, ele se deixou fotografar com Georges Huisman, que deveria presidir um grande evento marcado para setembro – o 1.º Festival Internacional de Cinema de Cannes. A eclosão da 2.ª Guerra Mundial retardou o projeto e somente em 20 de setembro de 1946 M. Huisman pôde declarar aberto o primeiro festival.
Cannes deveria estar comemorando assim seu 68º festival. Ou, mesmo tomando 1946 como referência, o 63.º, se os de 1948 e 50 não tivessem sido cancelados, ou o 61.º, se, em 1968, Claude Lelouch, Jean-Luc Godard, François Truffaut, Louis Malle e Roman Polanski, solidários com as barricadas de Maio, não tivessem levado à ‘fermeture des rideaux’ (o célebre fechamento das cortinas, saudado como ato revolucionário). Cannes faz, enfim, 60 anos.
História do festival
Vai começar de novo. Maior evento de cinema do mundo, maior evento midiático do planeta – mais que a Copa do Mundo ou os Jogos Olímpicos -, Cannes estende o tapete para uma edição que será histórica. São 60 anos de festival! 60 anos de glória da Croisette, o passeio à beira-mar por onde circularam, ao longo dessas seis décadas, nomes míticos do cinema.
Foi ali naquela praia que, em 1953, Kirk Douglas, um grande astro de Hollywood, fez trancinhas numa garota que, em três anos, se tornaria a sigla mais famosa do mundo – Brigitte Bardot, a BB. Mais alguns passos e, sim, foi aqui que, em 1963, Luchino Visconti, em companhia de Claudia Cardinale e Burt Lancaster, passeou com seu leopardo preso a uma corrente de ouro, como parte da promoção de um filme que não apenas se tornou clássico como ganhou a Palma de Ouro – O Leopardo.
Justamente a palma. A primeira foi atribuída somente em 1955. Até então, Cannes outorgava o Grand Prix. Delbert Mann, por Marty, foi o primeiro diretor a ganhar o cobiçado prêmio, que se tornou, desde então, o objeto de desejo número um dos cineastas autores. O Oscar é um prêmio da indústria cinematográfica americana. A Palma de Ouro não reconhece fronteiras. Premia filmes (e autores) de qualquer lugar do mundo, e tanto faz que sejam produções de milhões ou de milhares de dólares.
A festa vai recomeçar – e com mais pompa e circunstância do que nunca. Cannes está muito orgulhosa de seus 60 anos. Quem inaugura nesta quarta, 16, a festa é um habitué da Croisette, o cineasta chinês, radicado em Hong Kong, Wong Kar-wai. Presidente do júri no ano passado, Kar-wai veste black-tie para mostrar seu novo filme, My Blueberry Nights, com Jude Law e Norah Jones. Outros habitués de Cannes, pelo menos quatro (cinco) deles já ostentando uma ou mais palmas no currículo, também voltam à Croisette.
Disputa de feras
Emir Kusturica, duas vezes vitorioso – por Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios e Underground, Mentiras de Guerra -, concorre agora com Promise Me This. Os irmãos Coen, que ganharam com Barton Fink – Delírios de Hollywood, concorrem com No Country for Old Men. Quentin Tarantino, após o fenômeno Tempo de Violência (Pulp Fiction), concorre com Death Proof. e Gus Van Sant, que venceu com Elefante, tenta de novo a sorte com Paranoid Park.
Estes já ganharam, mas a competição reúne muitos outros diretores que já pisaram no tapete vermelho – e até provocaram muita polêmica. O mexicano Carlos Reygadas e a francesa Catherine Breillat quase sempre representam encrenca – associada a sexo. Concorrem, respectivamente, com Silent Light e Une Vieille Maitresse. O turco/alemão Fatih Akin, que ganhou o Urso de Ouro com Contra a Parede, tenta sua palma com Yasamin Kiyisinda. Dois cineastas experimentadores, Alexander Sokúrov e Bela Tarr, concorrem com Alexandra e The Man from London.
A experimentação também parece dar o tom de Persepolis, de Marjane Strapi e Vincent Parannaud, que investiga o universo dos quadrinhos. David Fincher, o diretor de Seven, os Sete Crimes Capitais, promete fazer furor com seu novo thriller, Zodiac. Julian Schnabel, anos após Antes do Anoitecer, participa da competição com Le Scaphandre et le Papillon. James Gray, que já passeou em Cannes com Caminho sem Volta, está na lista por We Own the Night. Naomi Kawase, cultuada pela crítica francesa, concorre com Mogari No Mori.
Júri de Frears
Todos estão submetendo seus novos trabalhos ao júri presidido por Stephen Frears, o diretor de A Rainha. Fora de concurso, Michael Moore, com Sicko; Steven Soderbergh, com Ocean’s Thirteen; e Michael Winterbottom, com A Mighty Heart, também terão direito à sua sessão de gala.
Para uma festa tão grandiosa, Cannes não deixou por menos e recorreu aos maiores. Martin Scorsese vai lançar sua fundação destinada à preservação e recuperação de obras-primas do cinema mundial. Na sessão Cannes Classics, que contempla justamente os clássicos restaurados, Andrew Wajda vai mostrar a nova versão, zero bala, de Kanal, que lhe deu o prêmio do júri em 1957.
Jane Fonda participa de uma homenagem a seu pai, Henry Fonda, de quem será exibida a versão restaurada de Doze Homens e Uma Sentença, de Sidney Lumet. O festival também comemora o centenário de nascimento, dia 26, de John Wayne, e exibe o western Hondo, dirigido pelo pai de Mia Farrow, John Farrow.
Um clássico do cinema brasileiro – Limite, de Mário Peixoto -, nunca lançado comercialmente, poderá assombrar a platéia cannoise. E o festival ainda reserva uma pérola – 35 diretores de todo o mundo foram convidados a celebrar os 60 anos de Cannes com um filme de até três minutos. Walter Salles assina um deles. De hoje até dia 27, o cinéfilo já sabe. Cannes vira a capital mundial do cinema.