Publicado por: kravitzjunior em: Agosto 14, 2007
“Eu queria ser negro voador” - Gostei muito dessa frase no momento em que o menino decide por algo. E eu também queria. Hhe.
O início do filme se mostra meio morno, mas não esperava nada mais do que isso. A primeira coisa que se nota no filme é a cor diferente, não tão vibrantes, acho que essa idéia é para remeter ao tempo que se passa a história. No caso durante a Copa do Mundo de 70 tendo como pano de fundo a ditadura militar.
É interessante prestar atenção na composição dos cenários, já que todos possuem detalhes bem elaborados, são bem iluminados e colaboram para o desenrolar da história. Dessa forma, já nos primeiros minutos fica claro todo o cuidado do diretor com a estética do filme, com a beleza das imagens na tela.
Bem, a história privilegia sempre a visão do gurizinho – Mauro – vivido pelo ator Michel Joelsas e isso me fez perceber como as pessoas parecem sempre mais bonitas quando somos pequenos. Acredito que isso se deve a não termos vários conceitos de beleza implantados em nosso subconciente. E o mais legal é que, ao menos pra mim, o diretor Cao Hamburger conseguiu passar isso – essa beleza inocente - para a película. Não é engraçado?
A trilha sonora é boa e a história consegue alternar momentos engraçados com momentos mais densos e isso também deixa o filme mais interessante no decorrer dos seus 110 minutos. Ainda um destaque interessante é a visão do Mulequinho em relação ao futebol e como isso influencia a vida dele, pois tudo que ele pensa é em relação envolve o esporte. Por exemplo: Os cálculos para ver seus pais entre outros detalhes. E por meio desse olhar a película consegue passar como o futebol é mágico para o brasileiro.
Mais um detalhe importante é prestar atenção no posicionamento das câmeras, com muitos takes em lugares inusitados dando uma textura diferenciada de enquadramento para as cenas. Acredito que isso colaborou para o reconhecimento do filme fora do Brasil.
Como dito anteriormente o filme começa de vagar, mas ganha ritmo até o final da DVD e fica bem interessante. Pra fechar; o Mauro – Michel Joelsa – se mostra um bom ator, no entanto, a Hanna – Daniela Piepszyk – rouba a cena todas as vezes que aparece na tela. Acredito que se o personagem do Mauro fosse vivido por ela, o filme teria mais “cor” e de quebra derrubaria o paradigma de que mulher não joga bola.
Então fica assim, O motor da história é se o Mauro irá ou não encontrar seus pais e isso é angustiante, pois chega um ponto do filme que não se sabe mais o que o diretor realmente vai querer passar com o final. Mas deixo isso para você descobrir no fim da história. A propósito, o final não é convencional.