Publicado por: kravitzjunior em: Julho 5, 2008
Esse filme eu fui assistir com alguma expectativa, já que na mesma semana eu havia lido duas críticas boas sobre a produção. Um detalhe importante é que a estréia de “Beijo Roubado” aconteceu no festival de Cannes no ano passado. Pensar nisso me deixa um pouco preocupado já que nesse ano tivemos duas importantes estréias nacionais – Linha de Passe e Blindness – também em Cannes e eu realmente não quero esperar um ano para assisti-los no circuito comercial.
Vamos falar do filme. O começo é um pouco devagar, mas já mostra a diferença na mão do diretor, na maneira de como ele conduz o filme, com cortes diferenciados, meio que com sobreposição de imagens. Os atores estão bem entrosados, Jude Law e Norah Jones conseguem passar o que os personagens sentem. A história tem seu contorno definido quando o personagem de Norah Jones aparece em um bar à noite para perguntar sobre um namorado, se ele havia aparecido com outra mulher, como ela era. Após esse detalhe ela deixa a chave da casa do – agora – ex-namorado no bar e o proprietário do estabelecimento – vivido por Jude Law – a guarda em um pote onde ele costuma deixar todas as outras que já foram deixadas ali. A partir daí Norah começa a ir ao bar do “amigo” todas as noites e comer uma torta que sempre sobra ao final do expediente – Blueberry Pie –. Após alguns dias nessa história Norah sai em uma viajem para o outro lado dos Estados Unidos, já que agora está tentando entender o fim do sentimento que ainda tem pelo ex, para se distanciar do sentimento que ela ainda tem pelo seu ex.
Após esses detalhes, ou durante a explanação da idéia do filme, fica perceptível como as mulheres gostam de sofrer. E por que não os homens? Enquanto a personagem de Norah se “castiga” pelo relacionamento que não deu certo, existe outro personagem - vivido por David Strathairn, vocês devem se lembrar dele de Boa Noite e Boa Sorte – que sofre por um amor que, pra ele, ainda não acabou. Na soma de toda a trama, após algumas reviravoltas e alguns momentos sem entender o que realmente o diretor queria dizer, como o período da viagem em que o personagem de Norah fica sem comunicação com Jude Law. Fora esses detalhes esse é um filme que vai adquirindo cores e peças que vão se encaixando bem lentamente. E isso permite várias interpretações, todas interessantes. Creio eu. O elenco é composto por vários atores bons como Natalie Portman – lindíssima e mostrando uma boa interpretação – o que dá ainda mais realidade a história do filme. O diretor abusa de tempos diferentes, de cortes não tradicionais, colagens, cor e imagem. Um filme com cara Cult. Uma produção que aguça as interpretações do espectador.
A película ainda me fez pensar nas interpretações do amor, pois como esse sentimento pode ser tão estranho. Algo que chega ao extremo de fazer com que uma pessoa queira alguém só para ele, a ponto de não aceitar o fato de não conseguir viver sem. Ainda, em certos momentos do filme tensão é a palavra que define o que está acontecendo . E mesmo com esse nome tão – Beijo Roubado – sugestivo, eu acho que esse não é um filme para namorados, pois ele exige conclusões solitárias de alguém pensativo frente à telona.
Com Norah Jones no elenco não poderíamos deixar de comentar também a trilha sonora. Que tem um fator diferencial, ficou a cargo da cantora e agora atriz. Ela conseguiu mostrar que é uma pessoa bem eclética. Norah mesclou jazz, blues e algumas pitadas de pop que são ouvidos em momentos oportunos e dão um toque a mais para as cenas.
Sobre o nome do filme, na tradução para o português, só é possível compreendê-lo de uma maneira mais completa no final da película. Sem contar que em entrevista de Jude Law à revista Elle, o ator contou que Wong Car Wei fez com que a cena fosse repetida mais de 100 vezes até que conseguisse a estética que queria passar para as telas. É um filme interessante e Wong consegue mostrar que – em seu primeiro filme fora da China – também sabe contar histórias para o ocidente. Isso tudo com uma visão mais apurada do que a de muitos diretores já acostumados com a linguagem cinematográfica desse lado do planeta. O que já era de se esperar. E mesmo com esses diferenciais a história consegue passar tudo com uma pegada simples e interessante para o público convencional.