Cinema. Simples assim

Minhas mães e meu pai – Um recorte dos relacionamentos de hoje

Publicado por: kravitzjunior em: maio 9, 2011

Enfim um filme que fala abertamente de um relacionamento homo afetivo de longa duração e sem máscaras, obviamente que para abordar um tema desses nos cinemas americanos só poderia ser uma produção indie.

Essa vertente independente é realmente muito boa, pois quando o mainstream não se dispõe a instigar o público médio – o que acontece quase sempre – esses filmes de baixo e médio orçamento conseguem quase que uma total liberdade criativa para contar histórias que fogem da realidade do que os EUA leva à telas.

Nessa produção temos a história de um casal de mulheres que tem dois filhos – um menino e uma menina -, gerados por inseminação artificial, e um deles quer muito descobrir quem é o pai biológico, – tudo leva a crer que –  na ideia de ter algum tipo de influência masculina.

Dessa centelha de curiosidade surge uma interessante história sobre pessoas. Não sei como Julianne Moore não foi indicada ao Oscar por esse papel, ela está simplesmente encantadora, mostrando todo o seu potencial cênico, realmente incrível.

Essa abordagem dos filhos que querem conhecer o pai é interessante, já foi às telas algumas vezes, mas nesse filme foge do lugar comum, pois trata-se de um casal sem nenhum tipo de problema aparente no relacionamento e gay.

No entanto o fator de quebra dessa aparente normalidade está no personagem do pai. As situações que a apresentação causa são bem inusitadas, é perceptível a mudança do sistema existente na família quando Mark Ruffalo aparece com seu jeito despojado e quase hippie de ser. Funciona como se a partir da aparição do pai o cotidiano fosse se descascando e novas nuances, no que parecia perfeito, começam a surgir.

Fica perceptível também a conexão dos atores.O clima, as falas, as deixas, os olhares…

Tudo colabora para o contar de uma excelente história. Em alguns momentos a trilha sonora parece entrar na hora errada e com uma pegada fora de contexto fazendo com que haja uma mudança de clima inexistente, transforma cenas que poderiam ser contextualizadas de forma mais leve em cenas pesadas e românticas demais. Acho que isso faz o filme perder um pouco do andamento, mas nada que atrapalhe o resultado final. Mas próximo ao fim do filme a trilha sonora passa a fazer mais sentido e torna-se algo complementar, deixando as cenas “dentro do tom”.

A resposta cênica de Annettte Bening a Julianne Moore e vice versa é perfeita, realmente rola uma excelente química que dá à história ainda mais intensidade. Fazia algum tempo que eu não percebia uma interação tão boa quanto a das duas. Mark Ruffalo também desempenha bem seu papel e não fica atrás quando aparece em cena com os outros atores.

O que eu mais admiro nas produções independentes americanas são as possibilidades que as histórias dão ao espectador. Finais abertos passam a ser uma excelente expectativa e os roteiristas e diretores aproveitam isso sempre muito bem.

Encerrando, é um ótimo filme que consegue ter várias camadas. Começa com cara de comédia leve, mas vai levando o espectador rumo a uma trama mais densa e empolgante. Fico feliz por essa produção ter conseguido reconhecimento com algumas indicações a prêmios nessa temporada. É um filme feito para todo tipo de audiência não tem a pretensão de parecer cabeça demais, mas apresenta alguns temas com uma pontualidade impar.

P.S. Um ator que eu acompanho há algum tempo, desde ABC do Amor, é Josh Hutcherson. Até o momento tem feito alguns bons papeis e eu chego a me empolgar com alguns. Nesse filme ele não foi muito exigido, mas demonstra ter talento para boas escolhas.

A propósito, alguém pode me dizer quantos anos tem Julianne Moore? Ela simplesmente parece uma menina. Linda, radiante e excelente atriz.

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