Seis minutos de cenas de ação pra Web

“Caminhando” pela Internet me deparei com esse vídeo bacana, recheado de cenas de ação.

Editado por Vadzim Khudabets – nome mais louco que o meu -, conhecido editor de trailers, o vídeo tem duração de seis minutos, boa trilha sonora e uma finalização bacana.

Confesso que nos dois primeiros minutos eu me perguntei: Que porra é essa? Mas depois ficou bacana.


Conheça os cinco indicados a Melhor Curta-metragem de Animação Oscar 2013

O Oscar 2013 está logo aí, não é mesmo? Então, pra você não dizer que eu só coloco palavras aqui, fiz uma busca pelos sites de vídeo – só no youtube – e encontrei os cinco indicados a Curta de Animação. A minha aposta fica por conta do Paperman (Singelo, com uma trilha sonora incrível e em preto e branco). Porém, todos os indicados têm méritos incríveis, desde uma abordagem minimalista até um conceito básico. Lindos… Agora, assistam e contem aí nos comentários qual é a sua aposta para ganhar o prêmio no próximo domingo.

Head over Heels – Um curta criado por onze estudantes da “National Film and Television School”. Com uma proposta diferente e recursos básicos, a história de pouco mais de dez minutos garante olhos marejados graças ao cuidado com os detalhes e a excelente trilha sonora. Site oficial: headoverheelsfilm.com

Adam and Dog – Animação de traço simples que aposta na relação entre um “homem do mato” e um cachorro perdido. O principal destaque fica por conta da simplicidade da história e da conexão emocional entre os dois personagens. Site com informações adicionais: adamanddog.tumblr.com

 

The Longest Daycare – É impossível negar o quanto os personagens dos Simpsons são queridos ao redor do mundo, não é verdade? Dessa vez, para democratizar ainda mais a história, criaram um curta no qual Maggie é a protagonista, passando por algumas situações interessantes no seu dia na creche. Com momentos belos e uma proposta interessante, essa é a primeira indicação dos “produtos” Simpson ao Oscar.

Fresh Guacamole – Com cores fortes e uma abordagem diferenciada para o preparo do famoso prato mexicano, esse é um curta que chama a atenção pela forma como foi concebido. É demais perceber o conceito e a montagem das cenas. Site oficial: eatpes.com

Paperman – Por fim, o curta de animação que quase todos já viram. Criado e produzido pelos estúdios Disney, essa peça chama a atenção pela singeleza dos traços – algo que predomina nessa categoria em 2013 -, em conjunto com uma bela história embebida em uma trilha musical realmente sensível. Esse é, sem dúvida, o grande favorito para a premiação do Oscar. Site oficial: paperman

 

Moonrise Kingdom – Uma história de crianças para gente grande

Wes Anderson é um diretor de visão original e muito particular. Por isso, quando se propõe a contar a história de duas crianças que fogem de casa, sem dúvida, ele é um dos poucos profissionais da indústria cinematográfica capaz de sair do comum e entregar algo realmente especial. Assim é “Moonrise Kingdom”, uma história bacana na qual os cuidados com cada detalhe encantam e contam como um diferencial para o todo da trama.

Moonrise Kingdom, beleza

Moonrise Kingdom, beleza

Logo de cara, o que chama a atenção, é a escolha do filtro e da predominância do amarelo, uma característica que aproxima ainda mais o filme dos anos sessenta, época e, que se passa o longa. É importante ressaltar ainda que a estética escolhida para contar essa história é a uma das marcas principais da produção. Isso, em conjunto com uma direção competente e um roteiro bem realizado, dá ao trabalho um acabamento impecável.

No quesito personagens, acompanhar cada um deles se descobrindo é algo incrível. Um show de sensibilidade tanto pelas imagens, com uma direção de fotografia que lembram quadros com ângulos ‘fotográficos’ quanto pela concepção do roteiro que amarra o espectador a cada minuto. A direção de arte é impecável e muito criativa detalhe que garante um visual marcante e insere alguns símbolos que se complementam ao final da película.

A  beleza de um olhar perdido

A beleza de um olhar perdido

Quanto a parte musical, só posso dizer que é indiscritivelmente marcante. Com inserções perfeitas, é possível sentir um clima infantil, mas sem deixar que ele seja simples demais. Detalhe que demonstra a sensibilidade em torno da trama e mantém o público atento durante toda a duração da história.

E, por fim, entra aí outro detalhe importante: A dupla de atores mirins (Kara Hayward e Jared Gilman) possui um ritmo interno e um controle externo absurdo. É notável o trabalho que cada um deles fez para alcançar a separação entre um exterior “sem emoção” e risos e um interior rico em nuances e vontades. E isso evidencia quão incrível uma preparação artística verdadeira e precoce pode ser interessante. É realmente impressionante ter a chance de ver duas crianças atuando de forma tão interessante, ao menos dentro dessa proposta, deixando em foco tanto a habilidade de Anderson para escolher atores mirins quanto para dirigi-los.

A história é excelente, as pontuações do roteiro estão cada um a em seu devido lugar; certas no momento certo. E é importante destacar ainda a atuação e Bruce Willis – que convence em seu papel de policial de ilha. Já Bill Murray, parece sempre o mesmo personagem – ele mesmo -, mas o que eu posso fazer?

As cores e o sentimento

As cores e o sentimento

Sem dúvida, um filme para assistir com a família, bem executado e que em nenhum momento duvida da inteligência da plateia. Produção para ser degustada mais de uma vez.

Oscar 2013: Infelizmente “Moonrise Kingdom” só foi indicado para Melhor Roteiro Original… Merecia muito mais, ao menos deveria estar entre os indicados para Melhor Filme. Uma pena. Mas, de verdade, em 95% das vezes os filmes indicados a Melhor Roteiro Original são sempre excelentes e esse não é nem um pouco diferente.

Amour (Amor) – Sentimento aberto para os dias finais

Assistir a um filme europeu é sempre algo diferente. A câmera mais afastada dos atores, os takes longos, as coisas realmente acontecendo sem que exista a necessidade de apelar para truques e cortes ousados. Tudo comum, porém, isso nos tira do lugar-comum. E essa é a premissa de AmorAmour – filme de Michael Haneke (diretor do maravilhoso A Fita Branca); ser naturalmente fluído até parecer enfadonho. Mas o amor não é desse jeito?

E claro, para desfrutar de tudo que o longa oferece é importante ir além do básico, a condução lenta e cotidiana deixa em primeiro plano o sentimento das pessoas retratadas na trama. Talvez, a melhor forma de colocar frente à plateia o que todos gostariam de experimentar, mas não tem coragem, ou algo que o valha.

O cuidado do sentimento

O cuidado do sentimento

Nesse processo de mostrar o dia a dia de um casal que já viveu seus grandes momentos e agora precisa cuidar um do outro, é inevitável não ocorrer um estranhamento. Tudo parece passado, é tudo cinza… Um detalhe que merece atenção é a maneira como o fim da vida é retratado; seco, sem tratamento, sem trilha sonora, de forma simples. Duas horas nas quais o espectador pode identificar um pouco do seu futuro ou somente refletir sobre como a passagem da juventude gera novos questionamentos e transforma as pessoas.

Obviamente que, para que um filme como esse funcione de maneira interessante, os atores precisam aguentar o tranco e isso fica evidente quando Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva (que concorre ao Oscar de Melhor Atriz), simplesmente reagem aos acontecimentos, dando um ar ainda mais próximo de uma rotina comum.

Pra mim, não existiu truque, não existiu jogo, na tela pude ver somente um casal – vivendo o amor morno, do cuidado e – talvez – do respeito – lidando com algo possivelmente verdadeiro até o momento em que a trama deixa tudo aberto para que eu escolha.

Cuidando de quem se ama

Cuidando de quem se ama

O detalhe mais interessante do longa, assim como de boa parte das produções europeias, é deixar a interpretação do espectador livre. É possível pensar no amor, na falta dele, na tristeza do final da vida ou no quão valioso é manter-se ao lado de alguém. O roteiro é bem desenhado e garante que mesmo em momentos muito cotidianos você ainda se mantenha interessado em saber o que está acontecendo.

Oscar 2013: Um detalhe interessante sobre essa coprodução austríaca/alemã/francesa é que ela já chega com uma Palma de Ouro na bagagem e agora, além de indicada a melhor Filme Estrangeiro, também concorre nas categorias de Melhor Filme, Diretor, – a já citada anteriormente – Atriz e Roteiro Original.

As Aventuras de Pi (Life of Pi) – Uma história inspirada por autor brasileiro e contada por Hollywood

Honestamente, nunca fui um grande fã de Ang Lee. Gosto de ‘Brokeback Mountain’, mas sempre associo o nome dele com o tenebroso ‘Hulk’ (2003). Porém, dessa vez, depois de ler boas críticas sobre ‘As Aventuras de Pi‘ e também sobre a proposta do filme ter sido desenvolvida integralmente pensada para a sala 3D, era hora de pagar mais caro e ver a nova peça do diretor taiwanês. Ainda bem…

Pi, o mar e o Tigre

Pi, o mar e o Tigre

Logo de entrada, o que chama a atenção é o ritmo e a música. O filme inicia com passagens lentas e interessantes. Ao menos pra mim, existiu uma quebra de expectativa, já que estava esperando por uma exploração do universo fantástico com aquele corte americano frenético, o que não acontece.

Uma ideia interessante, que garante uma solução bem eficaz para a história, é a inserção do personagem principal – Piscine Molitor Patel – narrando pedaços da sua vida. Essa narrativa vagarosa é perfeita para apresentar Pi, suas crenças – detalhe realmente importante dentro da trama – e os motivos que garantem uma abordagem original e interessante sobre o fato de tornar-se um náufrago e dividir o seu bote salva-vidas com um tigre de bengala.

O roteiro é apaixonante. Ainda não li o livro no qual o filme é baseado, mas nota-se o cuidado com a transição das palavras das páginas para a tela. Algo que torna o longa ainda mais interessante. Sem contar o conjunto de atores indianos que apresentam a vida de Pi para o público. É possível notar as nuances das reações de cada um deles. Seja enquanto a história é contada, seja em um momento de desespero dentro do barco.

Ele reflete você mesmo

Ele reflete você mesmo

Esse conjunto de fatores gera momentos maravilhosos e densos dentro da história, e isso faz com que seja quase impossível segurar as lágrimas. É notável a mudança de “atmosfera” na sala de cinema, detalhe garantido graças ao brilhante trabalho com emoções distintas de forma rápida, sem armadilhas, e eficaz. E claro, esse trabalho com cadências distintas para cada parte do filme garante bons momentos tanto para quem procura uma história leve quanto para quem está em busca de algo mais denso.

Efeitos

A projeção em 3D é incrível. As cores, a profundidade das cenas e a escolha de alguns ângulos proporcionam a real sensação de imersão no ambiente. O uso de figuras animadas é muito bem realizado, a interação do ator que vive Pi – Suraj Sharma – com esses elementos não deixa a desejar. Ao final de tudo, você está realmente ligado à história e entende a importância da crença de Pi e o porquê de todos os fatos que se passaram na vida do jovem.

Fica para o final a pergunta principal sobre todo o evento e uma sensação de que as duas horas na sala escura realmente valeram a pena. Uma história convincente e interessante que emociona pela forma como mostra o desenrolar do evento. Abordagem tão benfeita que faz com que a ideia de um jovem e um tigre dividindo um espaço diminuto por um longo tempo seja realmente crível.

Indicações ao Oscar

O filme conseguiu 11 indicações para o Oscar 2013 e, sem dúvida, com toda a atenção voltada para o apuro e o cuidado estético da película, a produção concorre em grande parte das categorias técnicas e nas duas principais da noite: Melhor filme, Diretor (Ang Lee), Roteiro Adaptado, Fotografia, Edição, Trilha Sonora Original, Canção Original, Efeitos Visuais, Edição de Som, Mixagem de Som e Design de Produção.

Recomendo, sem dúvida, a experiência completa: Assista em 3D e deixe a emoção chegar. Ver como é interessante acreditar em algo e ir até o fim por isso é algo belo e tocante.

P.S. Pra quem não sabe, o livro ‘Life of Pi’ – de Yann Martel – foi baseado em uma publicação brasileira escrita por Moacyr Scliar chamada ‘Max e os Felinos’. Nesse link você tem o autor brasileiro comentando os detalhes da descoberta desse caso.

http://tinyurl.com/bpqnayr